A privatização da Copasa voltou a ganhar destaque no mercado de saneamento após a sinalização de interesse da Aegea e seus investidores em participar ativamente da próxima etapa do processo. A expectativa é que o grupo apresente uma nova proposta para assumir a posição de acionista de referência da companhia mineira.
Durante participação em um evento voltado ao setor de infraestrutura, o CEO da Aegea, Radamés Casseb, afirmou que as chances de participação do consórcio na disputa são elevadas. Segundo o executivo, os investidores envolvidos continuam demonstrando forte interesse no mercado mineiro e analisam os detalhes finais da operação antes da decisão definitiva.
A Aegea esteve entre as empresas que apresentaram propostas iniciais para a aquisição de participação na Copasa. No entanto, o Governo de Minas Gerais considerou que os valores ofertados ficaram abaixo da avaliação considerada adequada para a companhia, optando por reabrir o processo para recebimento de novas propostas.
Com a revisão das condições da operação, foi estabelecido um valor mínimo de R$ 47,23 por ação, elevando a avaliação da empresa para aproximadamente R$ 18 bilhões. O investidor vencedor deverá assumir uma participação equivalente a 30% do capital da estatal de saneamento.
As novas propostas deverão ser entregues nos próximos dias, em uma etapa considerada decisiva para o futuro da companhia.
Para viabilizar a participação na disputa, os controladores da Aegea — Equipav, Itaúsa e o fundo soberano de Cingapura GIC — estruturaram um veículo de investimento específico, com participação igualitária entre os três grupos. A própria Aegea mantém uma participação minoritária na estrutura.
De acordo com a companhia, o modelo adotado segue estratégias semelhantes utilizadas em outras operações do setor de saneamento, incluindo projetos de privatização e concessões realizados em diferentes estados brasileiros.
Mesmo com a definição de um preço mínimo superior ao inicialmente ofertado, a avaliação atual da Copasa é considerada compatível com a relevância estratégica do ativo. Ainda assim, fatores econômicos e condições de mercado continuam sendo analisados pelos investidores antes da apresentação das propostas finais.
O desfecho da disputa poderá representar um dos movimentos mais relevantes do setor de saneamento em 2026, reforçando o interesse crescente da iniciativa privada em ativos estratégicos de infraestrutura no Brasil.

